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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Porquê Liberal? (3)

As discussões políticas fazem parte da minha vida desde cedo. Com a sorte de ter amigos que se interessavem por "essas coisas" cedo fui o gajo de direita no nosso grupo - ainda que ser de direita não seja ser bicho raro aqui no Porto, mesmo entre malta nova. Daí a ter uma ideia coerente do que queria para o mundo ia um caminho longo. Foi graças à blogosfera (como aqui referi) que conheci e abracei as ideias liberais.
Blogosfera fora citavam-se ideias e livros que me eram desconhecidos, mas apelativos. Lembro me particularmente do António Costa Amaral ter o hábito de citar obras. E a vantagem dessa obras, as liberais, é que estão disponíveis gratuitamente online.
Comecei por ler um livro curto e conciso sobre Economia que, apropriadamente, se chama "Economics in One Lesson", do jornalista-economista Henry Hazlitt. Daí passei ao livro em que Hazlitt se inspirara: Ce qu'on voit et ce qu'on ne voit pas, que li em inglês (pdf).
A partir daí foi um sem-número de obras disponíveis para aqueles que se querem auto-ensinar nas artes da Economia e da filosofia liberal. (A obra completa de Bastiat é imperdível, vol.1, vol.2) Talvez tenha oportunidade de postar aqui alguns ensaios curtos.

E enfim, assim nasceu um liberal num país constitucionalmente socialista. Os caminhos possíveis para tirar o país desse marasmo do pensamento único serão vários, e não haverá uma fórmula milagrosa. Tentemos algumas aqui. Se for militante do CDS e lhe for simpática a ideia, assine a petição aqui.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Porquê Liberal? (2)

Antes de mesmo saber ao certo o que pensar da política já votava no CDS. Não sei hoje reconstruir porquê. Acho que tinha que ver com a minha visão positiva da CDU alemã, país cuja política acompanhava e acompanho com muito interesse. Foi aliás por causa da Alemanha que me apareceram as primeiras fúrias liberais. Não me esqueço do dia em que Gerhard Schröder, chanceler alemão à data, entrou na Phillip Holzmann (construtora civil alemã) e saiu como salvador dos empregados que se manifestavam à porta contra a falência da mesma. Dois anos depois, sabe Deus com quantos Marcos de dinheiro dos contribuintes e a Holzmann faliu na mesma. Na altura cheirou-me a esturro e fiquei incomodado com toda a popularidade que o chanceler tirou do seu acto heróico. Heróico e social.
É fácil ser herói com o dinheiro dos outros.

Houve outra coisa que me fez juntar ao CDS. A autobiografia do Professor Freitas do Amaral. Ainda que escrita já depois do seu afastamento do CDS, o livro retrata bem como era difícil um partido portar-se de forma decente no pós-25-de-Abril. Tenho para mim que foi o CDS o único que o conseguiu.
Claro que esse CDS é outro do de hoje em dia, e isso eu não percebia na altura. Era o CDS que governava com o PSD como governava com o PS. O CDS que se queria de centro. No entanto a leitura da história da fundação do partido trouxe-me para o lado daqueles que vejo como herdeiros dum espírito de luta pela liberdade em momentos em que isso era pago com difamação, prisão e perigo de vida.

Já depois de uns anos de militância na Juventude Popular, a experimentar a democracia-cristã (lá está a influência da CDU) - para descobrir que a democracia-cristã em Portugal é uma espécie de social-catolicismo que não me atrai - passando pelas drogas pesadas do conservadorismo - demasiadas vezes saudosista de tempos que não me interessam -, vim dar a um pensamento coerente e atraente. Diferente do discurso habitual. Lógico e intrigante. E curiosamente não foi dentro do CDS ou a da JP que me converti.
Se me tornei liberal devo-o aos blogues.

continua

Porquê Liberal?

Enquanto espero que se juntem outros colaboradores aqui ao blogue, vou maçar os nossos leitores a tentar explicar porque diabo achei um dia que havia de ser liberal.

Colar etiquetas destas (a nós próprios ou a outros) pode ser perigoso. Vê-se no PS, vê-se na blogosfera liberal e via-se na oposição ao Estado Novo: uns são mais socialistas, outros são os verdadeiros liberais, ainda outros foram a verdadeira oposição. Para facilitar definirei liberal por aquilo que não é: no que eu conto como o espaço liberal enquadram-se todos os que não são socialistas. Dito por outras palavras, todos os que não acreditam que deve ser a comunidade, o estado ou o governo a controlar a propriedade, os meios de produção, a economia em geral. Juntando a isto uma noção profunda de liberdades individuais de expressão, pensamento e afins estão encontrados os que chamo de liberais. Como tal não aspiro a que me colem um rótulo de ser seguidor desta e daquela escola de pensamento, deste e daquele filósofo, economista, etc. Que digam de mim que não sou socialista que me dou por feliz.

E postas assim as coisas, poderíamos ficar contentes: não-socialistas devia haver muitos em Portugal. Pois mas não há. Que servisse esta nossa conglomeração para demonstrar isso, e já teria feito um enorme serviço ao país. BE, PCP, PS, PSD são tudo partidos vincadamente socialistas. Só o CDS pode ter uma intervenção liberal, o que aliás pode (e penso que deve) acontecer sem tornar o CDS num partido liberal.

continua